A ansiedade é um estado emocional inerente à experiência humana, caracterizada por um conjunto de respostas fisiológicas, comportamentais e cognitivas frente a situações percebidas como ameaçadoras ou perigosas.
Do ponto de vista evolutivo, a ansiedade desempenha uma função adaptativa essencial, preparando o organismo para responder adequadamente a ameaças potenciais por meio da ativação do sistema nervoso autônomo e do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal.
Em termos neurobiológicos, a ansiedade envolve estruturas cerebrais como a amígdala, o hipocampo e o córtex pré-frontal, responsáveis pelo processamento emocional e pela avaliação de ameaças.
A ativação da amígdala desencadeia uma cascata de respostas autonômicas mediadas pelo sistema nervoso simpático, incluindo aumento da frequência cardíaca, elevação da pressão arterial, hiperventilação e tensão muscular.
Importante distinguir entre ansiedade normal e patológica. A ansiedade normal é proporcional ao estímulo desencadeante, tem duração limitada e não prejudica significativamente o funcionamento do indivíduo.
Já a ansiedade patológica é desproporcional à ameaça real, persistente, causa sofrimento significativo e compromete o funcionamento social, ocupacional e outras áreas importantes da vida do indivíduo.
A ansiedade deve ser compreendida dentro de um modelo biopsicossocial, considerando a interação complexa entre fatores biológicos (vulnerabilidade genética, alterações neuroquímicas), psicológicos (traços de personalidade, estilos cognitivos, experiências prévias) e sociais (estressores ambientais, suporte social, contexto cultural). Essa perspectiva multidimensional é fundamental para uma avaliação abrangente e para o planejamento de intervenções eficazes nos transtornos de ansiedade.
Francisco Braga - Psicanalista, Neuropsicanalista, Neuroterapeuta com Hipnose, Especialista em Saúde Mental (Depressão e Ansiedade).