Com os estudos freudianos, desvelou-se a falsa soberania da consciência marcada pelas forças pulsionais sob a determinação do inconsciente. Dessa forma, a psicanálise entende a psicopatologia a partir dos conflitos que se estabelecem entre o inconsciente e o consciente do sujeito, fruto de seu imperativo original.
Por essa razão é chamado de psicopatologia psicanalítica. A variação ou o grau desse conflito indica o tipo de psicopatologia: as neuroses histéricas, fóbicas, obsessivas, de ansiedade; as psicoses; as perversões; as afecções psicossomáticas.
Considera-se que o modo singular de subjetivação do sujeito responde ao meio familiar e social em que ele se constitui, bem como a implicação cultural de sua época. Na atualidade, no mundo globalizado, a busca de normatização de comportamentos vem gerando uma padronização da normalidade e transformando a singularidade em anormalidade.
Em vista disso, são criadas regras de procedimentos a partir de parâmetros que não levam em conta a particularidade da dinâmica pulsional do sujeito.
A tão falada globalização da atualidade, ao produzir a subjetividade que lhe é própria, arrasta consigo o padecimento psíquico na forma de mal-estar, fruto das marcas da sociedade e desse momento histórico. Assim sendo, acredita-se que o sofrimento psíquico impingido à humanidade atual culminará numa reorganização para uma nova visão de mundo.
O sintoma e o diagnóstico psicanalítico
A psicanálise torna-se, desde sua descoberta por Freud, um balizamento de escuta para a cura dos sintomas do sofrimento. Sintomas que vêm expressar, por meio de uma metáfora, a verdade do sujeito.
Há uma relação de afetos, que mantém a produção de sintomas com a verdade e que abarca um “saber” inconsciente sobre o sujeito. Desse modo, o sintoma evidencia algo que tem uma significação e que está relacionado à história de cada um. Assim, não se pode perder de vista as relações do sintoma com a estruturação subjetiva do sujeito.
A técnica de investigação que o analista dispõe é a associação livre do paciente e a atenção flutuante, e é na dimensão do dizer e do dito que se definirá o campo de investigação psicanalítica.
Como o espaço de palavra está saturado de “mentira” e tem o imaginário como parasita, a avaliação psicanalítica é essencialmente subjetiva e deve buscar desvelar a verdade do desejo.
Ao considerar as incertezas encontradas no balizamento do diagnóstico psicanalítico, leva-se em conta a singularidade, a “composição” do mundo interno e do mundo externo, da realidade e da presença do outro.
Francisco Braga é Psicanalista, Neuropsicanalista, Neuroterapeuta com Hipnose, Especialista com Novos Direcionamentos e Aperfeiçoamento em Saúde Mental - SUS/CAPS