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Psicopatologia do Trabalho
Examina o choque entre as regras da empresa e os limites do corpo e da mente.
Por Psican. Francisco Braga
Publicado em 23/09/2026 21:25 • Atualizado 23/09/2026 21:26
Saúde Mental
Homens trabalhando

Buscando garantir sua subsistência o sujeito vê-se submetido à condições de trabalho muitas vezes ameaçadoras a seu psiquismo.

Frente a elas haveria uma bifurcação, para um lado o sujeito sucumbe, e para outro este mesmo sujeito busca encontrar saídas frente à tais pressões que garantam sua permanência como força de trabalho.

 No primeiro caminho vemos um rumo de adoecimento, no segundo vemos uma tentativa de seguir pelo caminho da saúde.  

 Cabe aqui, porém, uma fundamental ressalva, estes caminhos não são mutuamente excludentes, ou seja, ao seguir o rumo de um não estamos, necessariamente, garantindo que não haja o atravessamento do outro.

Saúde e doença não são condições obrigatoriamente antagônicas. Pelo contrário, há toda uma dinâmica entre estas condições, assim está bifurcação é apenas uma ilusão.  

A psicanálise, desde a sua fundação por Sigmund Freud, traz esta concepção da ausência de dicotomia entre saúde e patologia.

Entre elas haveria uma diferença não de natureza, mas de intensidade.

 Isto é, o que as distinguiria estaria no plano quantitativo e não qualitativo.

Nota-se assim que Freud introduz uma novidade no campo da saúde mental, não há um abismo separando o normal – saudável, do patológico – doentio.

Estas condições não são mais separadas por um muro intransponível, onde haveria uma permanência irreversível, seja de um lado deste muro, seja do outro.  

 Vê- se assim que Freud opera com uma noção de saúde mental que traz subjacente a ela a ideia de movimento, da dinâmica entre as condições de normalidade e patologia.

Não há, portanto, garantias de que uma vez conquistada a saúde esta permanecerá até o término da vida daquele sujeito.

Pelo contrário, para que haja uma condição mínima de saúde psíquica que permita ao sujeito manter sua vida, e assim adiar a sua futura e inevitável morte, é preciso um esforço, o dispêndio de uma energia psíquica, energia esta que Freud designará de libidinal. 

 Para que o trabalhador possa se manter vivo, e capaz de utilizar sua força de trabalho em prol de seu sustento torna-se necessário justamente o emprego desta energia libidinal.

 É esta energia que precisa também mobilizar para enfrentar o sofrimento advindo das pressões do trabalho, e não sucumbir a ele. 

Cristophe Dejours, psicanalista francês, explora este campo participando inicialmente da corrente de pesquisas composta em grande parte por autores franceses da Psicopatologia do Trabalho e, posteriormente, funda a chamada Psicodinâmica do Trabalho.

A fundamentação teórica da primeira linha de pesquisa é heterogênea, já na segunda a fundamentação teórica utilizada pelos autores é oriunda da Psicanálise.   

Francisco Braga é Psicanalista, Especialista em Neuroterapia com Hipnose, Neuropsicanalista, Especialista em Saúde Mental com Aprimoramento em CAPS/SUS e Novos Direcionamentos em Saúde Mental, Psicopatologia e Psicofarmacologia e Emergências Psiquiátricas.

Membro Associado à Associação Brasileira de Saúde Mental - ABRASME

 

 

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